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A Estrela que Guardava os Sonhos

Historinha A Estrela que Guardava os Sonhos

Todas as noites, quando o céu ficava escuro e o barulho do mundo diminuía, uma pequena estrela acordava. O nome dela era Lumi, e ela não era uma estrela comum. Enquanto as outras brilhavam forte para serem vistas de longe, Lumi brilhava de forma suave, quase como uma luz de abajur, feita especialmente para acalmar.

Lumi acreditava que a noite não existia apenas para escurecer o dia, mas para dar descanso ao coração. Por isso, ela tinha uma missão muito importante: cuidar dos sonhos das pessoas enquanto dormiam.

Lá de cima, ela observava tudo. Via cidades se aquietando, carros parando, casas ficando em silêncio. Via também crianças se virando na cama, adultos suspirando de cansaço e bebês se aconchegando nos braços de quem amava. Cada bocejo era um sinal para Lumi de que seu trabalho estava prestes a começar.

Quando alguém fechava os olhos, Lumi descia devagarinho, flutuando entre as nuvens como se estivesse nadando no ar. Em suas mãos, ela carregava um pequeno saco invisível, cheio de pó de sonhos bons. Esse pó não fazia barulho, não tinha cheiro, mas era capaz de transformar preocupações em imagens bonitas e tranquilas.

Certa noite, Lumi percebeu algo diferente. Em uma casa simples, havia uma criança que não conseguia dormir. Ela se mexia, apertava o travesseiro e parecia inquieta. Lumi se aproximou com cuidado e pousou perto da janela. Ao olhar mais de perto, sentiu que a criança estava com medo, sem saber exatamente do quê.

Com delicadeza, Lumi abriu seu saco de sonhos e soprou apenas um pouquinho de pó. Em seguida, sussurrou bem baixinho, como o vento entre as folhas:
“Você está seguro. Agora pode descansar.”

Aos poucos, a respiração da criança ficou mais lenta. O corpo relaxou, os ombros baixaram e um leve sorriso apareceu em seu rosto. Nos sonhos, ela corria por um campo verde, sentia o sol quentinho e ria sem preocupação alguma.

Satisfeita, Lumi voltou ao céu. No caminho, ela espalhou um pouco mais de pó sobre outras casas, garantindo que todos tivessem sonhos gentis naquela noite. Para Lumi, não importava quem eram as pessoas ou onde viviam. Todas mereciam descansar em paz.

Quando o céu começou a clarear, Lumi sentiu seu próprio cansaço chegar. Ela se acomodou entre duas nuvens macias, como um travesseiro fofo, e diminuiu ainda mais o brilho. Antes de dormir, olhou uma última vez para a Terra e piscou lentamente, como quem diz “boa noite”.

E assim, enquanto Lumi dormia no céu, o mundo lá embaixo também descansava, envolvido em sonhos calmos, silenciosos e cheios de paz.

Via: Historia Para Dormir

Rodrigo Pazzini

Formado em letras pela UNIR. Ama a literatura clássica e atua como revisor neste site.

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